A intolerância religiosa é uma forma de discriminação que se manifesta ao rejeitar, ofender ou
desrespeitar religiões, liturgias e cultos, ou até mesmo ao agredir pessoas por conta de suas
crenças e práticas religiosas. Esse comportamento tem raízes profundas na história da
humanidade, especialmente em períodos em que religião e política caminhavam juntas, como
no passado, quando pactos entre governos e religiões institucionalizadas, como o cristianismo,
eram comuns.
No passado, a religião serviu como ferramenta de poder político e controle social. Um exemplo
marcante é o período em que os cristãos foram perseguidos e criminalizados durante o Império
Romano. Hoje, os princípios republicanos e democráticos, ao menos em teoria, sustentam a
separação entre Estado e religião, configurando o chamado Estado laico.
Apesar desse avanço teórico, a intolerância religiosa ainda persiste e continua a afetar
comunidades ao redor do mundo. No Brasil, o problema está intimamente ligado ao racismo,
uma vez que as maiores vítimas dessa prática são os adeptos das religiões de matriz africana.
Nesse contexto, a intolerância religiosa não apenas nega o direito à crença, mas também
reforça um histórico de opressão contra os povos originários da África.
Refletir sobre a intolerância religiosa é fundamental para avançarmos rumo a uma sociedade
mais inclusiva e respeitosa, onde a diversidade de crenças seja vista como uma riqueza e não
como uma ameaça.
A intolerância religiosa no Brasil continua sendo um desafio significativo, com números
alarmantes que evidenciam o aumento dessa prática. Em 2024, o estado de São Paulo liderou
o ranking nacional, registrando 919 descobertas – um crescimento de aproximadamente 60%
em comparação aos 573 casos de 2023 .
O Rio de Janeiro ocupou o segundo lugar, com 764 descobertas , seguidas pela Bahia, com
223 ocorrências relacionadas à religião ou crença. Ambos os estados também apresentaram
crescimento em relação ao ano anterior, reforçando a necessidade de medidas mais eficazes
para combater essa forma de discriminação.
As religiões de matriz africana continuam sendo as maiores vítimas dessa intolerância. A
umbanda e o candomblé registraram os maiores números de visibilidade, refletindo o impacto
do racismo estrutural na perpetuação desse tipo de violência. Em 2025, os dados já mostram
178 marcas registradas identificadas até o momento, com São Paulo novamente no topo, com
60 casos , seguidos pelo Rio de Janeiro ( 21 casos ) e a Bahia ( 19 ocorrências ). Juntas, a
umbanda e o candomblé somam 20 episódios de intolerância neste início de ano.
Para fortalecer a luta contra a intolerância religiosa, a Lei 11.635/2007 distribuiu o Dia Nacional
de Combate à Intolerância Religiosa , realizado em 21 de janeiro , integrando o Calendário
Cívico da União . Além disso, a Constituição Federal assegura a liberdade de crença e
consciência, garantindo proteção aos locais de culto e às liturgias.
É importante lembrar que casos de intolerância religiosa podem e devem ser denunciados. No
Rio de Janeiro, as denúncias podem ser feitas pelo Disque 100 ou pelo número 1746 ,
destinadas à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.
Combater a intolerância religiosa é um passo fundamental para a construção de uma
sociedade mais justa, onde a liberdade de crença seja verdadeiramente respeitada e protegida.
Fonte: Brasil Escola, CNN.